MÚSICA
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| Inverno,
verão,
músicas
e cores |
Neste
último verão na Finlândia, nos pontos de encontro,
barzinhos e cafés mais populares de Helsinque, um público
entre 17 e 71 anos escutou música brasileira e da
boa quase como se estivessem no Rio de Janeiro, Salvador ou São
Paulo. O mais interessante dessa moda, foi que as canções
em português eram entendidas pelos finlandeses sem maiores problemas
linguísticos, e pela primeira vez.
"Português é uma das várias línguas
oficiais da Comunidade Européia, pelo menos quatro
países da Comunidade possuem uma estrutura comum a este idioma,
e todos os países do mundo possuem familiaridade com os ritmos
brasileiros. Não é de se surpreender que uma enorme
quantidade de música eletrônica, house, dance,
disco etc. possuam uma marcada influência na batucada brasileira
ao serem produzidas. Uma das melhores maneiras de divulgar a música
brasileira e seu
conteúdo no
exterior é traduzir as músicas mais conhecidas
do país em português, assim as pessoas sentem
o mesmo que os brasileiros... e ainda podem adivinhar, seguir o que
a letra está dizendo".
É assim que Eduardo, seu "braço
direito" Anthony Johnson e seu grupo
"Brazilian Aeroplane" entraram para a história
da música popular Finlandesa e ao mesmo tempo criaram
uma ponte cultural única (e pioneira) no país que foi
muito além do lugar comum. Em seu trabalho principal, o poliglota
Eduardo traduziu e gravou 12 músicas de J.Karjalainen
em português e o "Oceano" do Djavan
em finlandês.
"A popularidade das músicas do J.Karjalainen
(apelido "J") na Finlândia é
muito parecida com a do Djavan no Brasil e é
descrita com números surpreendentes: durante 10 anos
de trabalho, "J" vendeu um milhão
e meio de discos em um país de 5 milhões
de habitantes. Dessa maneira, como os Finlandeses, eu também
gosto da música do J.Karjalainen."
O projeto de Eduardo e sua idéia chamaram a atenção
da colossal indústria musical Sueca que publica e distribui
produções nos mercados musicais do mundo todo e agora
tomou sua forma própria. No início,
criou-se uma oportunidade para os finlandeses de conhecerem
melhor outros estilos musicais brasileiros além do
estereótipos de samba, bossa e lambada. As canções
foram um sucesso nas rádios do país inteiro
e receberam as máximas notas da crítica do jornalismo
musical Finlandês, inclusive jornalistas especialistas
em gêneros "heavy-metal" deram notas máximas
e inéditas. Traduções, interpretações
personalizadas, bem dosadas influências de João
Bosco, Bebel Gilberto, Elis Regina, Gil: Eduardo "Caetaneia" elegantemente
com sua voz e seu grupo, trazendo um Aeroplano cheio de cores
e nomes com sua bagagem musical riquíssima. Com uma criatividade
entusiasmante, o grupo deu luz a um projeto único,
rico em conteúdo e internacional.
"A canção Oceano do Djavan cantada em Finlandês
traz a paz, a beleza de um panorama amazônico, como
um índio cantando em Tupi-Guarani... Quanto mais eu
traduzia, mais a coisa ficava surrealistamente bonita
também nessa língua. Anthony usou o "Kantele",
instrumento musical do folclore Finlandês, seguindo o arranjo
original do Djavan e Paco de Lucia"
-descreve Eduardo.
Administrado inicialmente da Suécia, o álbum "TELEPATIA"
será em breve vendido no Brasil, Portugal, Itália,
França e Espanha.
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Música
dos
outros |
Mas,
afinal, porque copiar ou usar a música dos outros?
Porque não fazer suas próprias músicas?
Porque traduzir o Djavan, e quem é
esse J.Karjalainen?
"Cada coisa que se faz nessa vida é
porque foi aprendida de algum lugar, um livro, uma escola,
a vida mesmo. Minha idéia não
é nova, mas com certeza o resultado é.
É impossível "copiar" arte pois percorrendo
cada elemento algo de novo aparece e é recriado, isso
acontece em todas as artes. O pintor Picasso copiava obras
de outros maestros com a agilidade de um falsário
e o resultado não foi um falso, mas uma quantidade
enorme de janelas novas de idéias jamais vistas antes.
Para fazer uma boa escola, é necessário também
bons livros, uma boa situação pedagógica onde
se aprende com a experiência de fontes de informação
competente e amadurecida. No lugar de virar um falsário,
Picasso deu chance à si mesmo indo passo a passo pelo
mesmo caminho percorrido pelos grandes maestros, ele aprendeu
até começar humildemente a colocar um pouco
(ou tudo) de si. Tenho certeza que qualquer um, principalmente
os jovens músicos brasileiros, acrescentariam uma
enorme qualidade ao próprio trabalho, por exemplo estudando
os maestros da velha guarda, Jobim, Pixinguinha, o Dino Sete-Cordas.
Muita gente no Brasil não sabe que um dois melhores violões
para fazer música brasileira é o violão de sete
cordas. O Djavan é um maestro até para quem
não o conhece, basta escutar sua música e aprende-se
um milhão de coisas, por exemplo, o amor em
fusão de melodias. O Finlandês J.Karjalainen
deu de si uma contribuição muito parecida ao
seu povo, assim como nós recebemos toda essa
maravilha de arte, cultura e escola social em forma de letras do Gilberto
Gil, do Chico Buarque, Caetano, o Djavan".
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| Itália,
Brasil,
África,
Finlândia |
Eduardo
formou-se com louvor pela Academia de Belas Artes de Milão
onde também apresentou sua tese de laurea
obtendo o diploma de Licença Acadêmica.
No mesmo período, na Itália, freqüentou estudos
complementares no Politécnico e na Faculdade de Economia,
onde se dedicou às técnicas industriais computadorizadas
e técnicas administrativas de desenvolvimento de produto.
Na Finlândia fez pós-graduação
em Product Management e Computer Sciences, onde mergulhou
no mundo digital trazendo consigo todo o folclore brasileiro
combinado com a história da arte aprendida na Itália.
"No Brasil, uma pessoa tem um trabalho de manhã,
outro de tarde, cursinho à noite e antes de voltar para casa
ainda passa num barzinho para dar uma olhada. Na Europa,
se uma pessoa diz que faz tudo isso poucos acreditam. Muita gente
se surpreende que brasileiros façam tantas coisas, e
além de uma vida acadêmica e profissional ainda sobre
espaço para música, cultura e laser".
Eduardo ficou conhecido na Finlândia também como
ator em uma novela da MTV3 e em setores da indústria
finlandesa, um criativo Industrial Designer com
patentes aprovadas no setor de telefones portáteis e outros
produtos. Ele passou dois períodos do país
onde muitos, inclusive ele mesmo, subiram e desceram com a economia
internacional. Por cada país que passou, custeou em boa parte
seus estudos cantando música popular brasileira.
Na Itália Eduardo também estudou música, canto
gregoriano e educação vocal na "La
Scala di Milano". Foi nesse período que Eduardo
começou a experimentar diferentes combinações
fonéticas em diferentes línguas, criando
uma cromática própria.
"Amo a Itália, a cultura e carinho que a gente
daquele país me deu como amo o Brasil, nossa mistura cultural
e raízes. Acabei perdendo a noção
de nacionalidade pelo calor recebido pelo meu trabalho na Espanha,
França e naturalmente Portugal.
Em um concerto em Helsinque (Finlândia) tivemos cerca
de 100 estudantes universitários de toda a Europa tentando
subir no palco para dançar samba com a gente, parecia
estar no Brasil e... fora do teatro faziam 32 graus abaixo
de zero..."
Quando Eduardo estudou artes na Itália e conheceu
o trabalho de Picasso, muitas de suas idéias musicais começaram
a se definir. Ao freqüentar a academia de artes de Milão,
Eduardo estudou história da percussão africana,
construção de instrumentos e suas variações
brasileiras. Sua maior fonte de inspiração
em percussão é Nana Vasconcelos.
"Um de meus sonhos é viajar para a África
e coletar idéias para fazer mais música.
Hoje, na música e artes em geral, tem muito mais
arte africana de quanto a gente saiba ou imagine. Blues,
jazz, funk, bossa, techno são estilos diretamente
feitos em percussão vinda da África. Em cada
objeto de arte moderna existe pelo menos um detalhe
de origem ou relacionado com a cultura africana".
Na Finlândia, Eduardo conheceu o pintor Kaj Stenvall,
famoso internacionalmente por sua pintura extremamente clássica
mas ao mesmo tempo irônica e dramática.
Stenvall rigorosamente representa em seus trabalhos um "pato"
como personagem central. Ao ouvir a música do "Brazilian
Aeroplane", Stenvall pintou pela primeira vez "uma
outra ave" para a capa do CD, "um papagaio
muito especial" e que marcou um ponto importante na
obra do artista. Hoje, Eduardo é o curador artístico
de Kaj Stenvall e trabalha ativamente em sua internacionalização.
O projeto do "Brazilian Aeroplane" também
irá trazer o trabalho de Kaj Stenvall para o Brasil e outros
países em forma de mostras de arte e seminários.
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Eduardo
e o
"Toninho"
Johnson |
Eduardo
criou o"Brazilian Aeroplane" como um
pequeno grupo de MPB e chorinho no bairro
do Bexiga em São Paulo. Quando foi para a Itália
estudar, levou consigo a idéia de "viajar com
música" e sempre formou seu grupo também
em outros países da Europa usando o mesmo nome.
Na Finlândia, além de excelentes músicos profissionais
fãs de música brasileira, Eduardo conheceu o inglês
Anthony Johnson (Toninho), um personagem
"renascimental", de mil talentos artísticos
e professor da cátedra de literatura Britânica da Universidade
de Oulu, norte da Finlândia. Eduardo e Toninho
ficaram famosos inicialmente tocando em dupla, esquentando
as geladíssimas noites da Finlândia com temas clássicos
da bossa nova. Numa das viajens de retorno da Inglaterra,
Toninho trouxe um livro de percussão brasileira,
discos do Gilberto Gil, Djavan, João Bosco, Lobão
e Rita Lee. Toninho começou a tocar o violão
como se estivesse vindo do Brasil, iniciou a compor tons
nordestinos e bahianos com seu próprio estilo mas
com um incrível "sotaque" de Pat Matheny, folclore
Irlandês e Beatles.
"Toninho toca cavaquinho com o coração
de um português tocando um fado, ele compõe
arranjos sob medida para cada músico no grupo como
um alfaiate apaixonado pelo seu trabalho, ele imagina
a música inteira em uma nota de seu violino e exporta cada
emoção para o saxofone, o violão, a gaita."
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| Pirataria |
"Oi Edu! Cara esse álbum
tá demais, acabei
de copiar o CD inteirinho de um amigo,
tô fazendo um só prá mim agora mesmo! Um abraço
aqui de Helsinque e boa sorte!"
-Este foi um dos emails que o Eduardo recebeu de
um seu "amigo" na primeira semana que o CD começou
a ser vendido nas lojas da Finlândia.
"No nosso álbum procurei focalizar o problema
da pirataria. Percebi que muita gente não
gosta da capa dos vários CDs de diferentes grupos
que estão à venda. Em vez de polemizar, dei minha
contribuição contra o problema: fazer do
CD também um objeto de design, mais um bom
motivo para se desejar e possuir um original".
Com o mesmo carinho com que gravou cada música, Eduardo colocou
sua criatividade e experiência em desenvolvimento de produto
para funcionar e incluiu um valor a mais em seu pacote multi-cultural:
"A tentação e desinformação
ao se copiar um CD é enorme, esse fenômeno coloca a
indústria fonográfica (e
os artistas!) em um sério risco. Existem grupos
que ganham com dinheiro só com concertos, outros grupos ganham
com rádio, TV, canais promocionais etc., mas uma boa parte
dos músicos, como no caso do meu grupo, precisamos
que as pessoas comprem CDs para ir para frente. Aqui me
coloco na ótica de quem copia um CD: e se a capa
é feia? e se eu só acho legal a música
mas a capa é horrível, desinteressante e a primeira
coisa que penso é de jogá-la fora assim que as faixas
forem descarregadas no computador ou mp3-player? Pois bem: procurei
fazer desse CD também um objeto de arte, um objeto
interessante de se ter."
Nos últimos 15 anos, na Finlândia,
floresceu o trabalho de um pintor incrível e que
virou um fenômeno na Europa, seu nome é Kaj
Stenvall. Gente da Alemanha, França e Itália
colecionam e importam posters de seus quadros, ele criou
uma idéia brilhante e que em cada canto da Europa, em
cada livraria, encontra-se uma sua coleção de seus
postais à venda. Ele pinta de maneira rigorosamente
clássica (como Hayes, Caravaggio, Tintoretto) um "pato"
(isso mesmo, um pato).
"Qualquer um pode pintar um pato... mas esse
é diferente em muitas coisas. Perguntei ao Stenvall se ele
poderia fazer pela primeira vez na sua vida a pintura de
um "papagaio" como capa e pôster, um símbolo
de amizade entre os pássaros... e culturas tão diferentes
como a brasileira e a finlandesa."
O resultado não poderia ter sido melhor. A música,
a gráfica, a capa que se desdobra em um pôster, o objeto,
o inteiro projeto do Eduardo se transformou rapidamente
em um item de colecionadores chegando a ser o oitavo disco
mais vendidos no Stockmann (a maior cadeia de vendas da Finlândia).
"Por aqui a missão foi cumprida,
adoraram o Djavan em finlandês, entenderam
sua música e letra como nós no Brasil. Espero
agora que os brasileiros também gostem do álbum
Telepatia, da música do J.Karjalainen em
português, os brasileiros poderão também
conhecer um pouco sobre a música popular Finlandesa temperada
em português, afinal a Finlandia não é só a
terra os super-telefoninhos da Nokia, alces e papai noel."
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| Viajando
com
música |
Eduardo
acredita que muito mais artistas brasileiros
deveriam ser conhecidos no exterior e seu projeto também
objetiva fazer com que isso seja possível.
"Kaoma por exemplo foi
um sucesso enorme no mundo inteiro com a "Lambada",
um ritmo aconchegante, um video simples e bonito.
A lambada é um entre os inúmeros
estilos de música que temos no Brasil e que o público
estrangeiro gosta de ouvir, sei que existe um mundo
de gente fazendo sucesso no Brasil que também
conseguiriam seu espaço no exterior. Imagino boas
ideias com conteúdo
e base na história da música brasileira como
o maxixe, chachado, baião e gafieira estourando de
sucesso por aqui, desde o tradicional que conhecemos no
Brasil até estes estilos em versão "dance",
"drum & bass", "house" e a música
eletrônica. Espero contatar essa gente quando venho
para o Brasil, produzir mais e ter mais uma capa feita pelo
Stenvall para manter o mais exigente colecionador satisfeito"
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